Sobre inveja e ser único

Quando eu era menor, comecei a estudar numa escola nova que era maior do que qualquer outra que eu havia estudado. Na minha sala tinha umas meninas que desde o primeiro dia começaram a me tratar mal. 
Conforme os anos se passavam, algumas vezes os “grupinhos” tentavam se aproximar, mas nunca dava certo, já que sempre rolava alguma coisa e alguém saia chorando – normalmente, esse alguém era eu. 
Eu nunca soube porque elas não gostavam de mim. E nem porque até algumas “amigas” minhas viravam as costas para mim e se juntavam às outras, sem me dar uma explicação. Tudo o que eu queria era ser amiga de todos e que elas gostassem de mim de volta.
Talvez hoje elas nem pensem que o que elas fizeram comigo (tentar me isolar, falar mal de mim para os outros colegas, fingir serem amigas só para acabar fazendo algo “ruim”) eu considero bullying. E talvez elas até pensem que eu era uma bullie, já que às vezes eu me rendia a algum “plano” de alguma “amiga”, só para não ficar por baixo. 
O ponto disso tudo é que eu me sentia mal comigo mesma, já que por muitos anos parecia que a maioria das pessoas não gostavam de mim. E eu sentia muita inveja das pessoas e queria ser como elas, tentava imitar outras pessoas, só para tentar me sentir querida. Alguma coisa do que eu falei agora soou familiar para você?
Existem muitas pessoas que se sentem desse jeito por pura pressão da sociedade, não precisam de um grupinho de mean girls do ensino fundamental para isso. Para todo lugar que você olha, tem alguém ou alguma coisa que te diz para lotar a cara de maquiagem, alisar os cabelos, se matar na academia, não comer doces e usar as roupas da moda. E você acaba sentindo inveja daqueles que seguem esse padrão, que tem um corpo mais magro, mais definido que o seu, que tem um cabelo mais longo e mais escorrido e um rosto mais simétrico que o seu, sentindo que o que você tem não é bom, que é feio. 
Quando eu tive que sair daquela escola e mudar de cidade, eu não quis no começo, por conta das tais amigas. Mas hoje eu vejo que foi para melhor. Na nova escola encontrei novas amigas que quero levar para sempre e com quem nunca tive problemas. Amigas essas que me ajudaram a me encontrar e que me deixam ser essa nova eu, a que eu sou de verdade. 
Sobre às antigas amigas, existe aquela relação tecnológica à distância – amigos nas redes sociais, que curtem os status um do outro e que muito raramente se falam (exceto com quem decidiu esquecer que um dia vocês fizeram parte da vida um do outro. Mas as pessoas negativas ficam melhor no passado). 
Hoje eu tenho mais certeza de quem eu sou a cada dia que passa. E eu gosto de quem eu estou crescendo para ser, o que eu achava que nunca ia acontecer. Eu não quero ser igual a ninguém, eu quero ser única e diferente e conseguir me destacar na multidão. Eu não quero ser comum. 
Eu aprendi também que quando você se cerca de pessoas positivas, você vive melhor e as coisas negativas da sua vida vão embora com as pessoas negativas que você deixou para trás. Não existe mais inveja, mas ficar feliz por outra pessoa e pensar que um dia ela talvez fique feliz por você também. Eu sei que se eu tropeçar e cambalear no meio do caminho, tenho várias mãos que vão me ajudar a ficar firme, e não terminar de me derrubar no chão. 

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