19.

19bday

Aqui estamos. Engraçado como você pode ficar extremamente ansiosa pelo dia do seu aniversário e, quando ele finalmente chega, ficamos um pouco depressivos. Talvez seja a nostalgia dos dias que não vão voltar e das épocas em que éramos felizes e não sabíamos (oi, clichê nosso de cada dia). Ou será só eu?
Hoje, às 17 horas, terei oficialmente 19 anos. Já sou legalmente uma adulta há um ano, mas não parece. Parece que serei sempre aquela menininha ali da esquerda, que adora Festas Juninas, ainda ama Turma da Mônica, assiste aos desenhos da Disney e não tem vergonha de demonstrar carinho pelos pais em público.
Ah, se fosse sempre assim. Mas agora aqui estou eu, já há dois anos tentando entrar na faculdade de medicina, pensando em emprego e desesperada com aquela coisa de “o que é que eu faço da minha vida?”. Fora outras mil coisas, porque cabeça de quem cresce, mesmo que mais por fora do que por dentro, sempre pensa mais do que deveria.
Mas apesar de todas as dificuldades, tenho muito do que agradecer. Pais, família e amigos acima de tudo. A base que me mantém de pé todos os dias apesar de todos os terremotos. Deus, que sabe a hora certa para tudo.
Eu sei que não sou a única a pensar em querer voltar aos 9 em vez de completar 19, mas eu até gosto de quem eu sou agora que cheguei aqui e parei para pensar no assunto. Como eu sei que vou gostar cada vez mais quando chegar aos 20, 21, 22… A menina de 9 era muito boba e ingênua. A de 19 é um pouco menos.

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Sobre peso, bullying e biotipos

aboutweight

Prestes a começar meus estudos da tarde, resolvi dar aquela última olhadinha no Instagram. Eis que me deparo com esse vídeo, postado pelo Federico Devito:

Nos comentários dele, várias pessoas comentando como a Demi Lovato está gorda (“ou melhor, imensa”), que ela precisa parar de tomar refrigerante, etc etc etc. Na mesma hora, levantei minha bunda da cadeira, tirei uma foto de top de academia, coisa que me dava pavor, e resolvi postar no Instagram com aquele texto enorme, tipo aquele que a Bruna Vieira postou ontem rebatendo as críticas que fizeram sobre o seu peso também por causa de um vestido com transparências. Então aí resolvi não fazer isso lá, mas aqui, porque o espaço é maior.
Eu pensei que nós, jovens, estávamos a frente de praticar bullying com pessoas por conta de peso, mas parece que não. Eu pensava que praticamente todos um dia já havíamos sofrido muito com isso, estando acima ou abaixo do peso, e que então entendíamos isso. Porém, para que as pessoas estão nesse mundo, se não para provar as outras erradas?
O negócio é que cada um tem um corpo diferente, um biotipo diferente. E não é porque alguma coisa funciona pra Fulana que vai funcionar pra Ciclana também. A minha querida Demi, depois de sofrer tentando se adequar aos modelos impostos por pessoas como as que comentaram nesse vídeo, descobriu que o biotipo dela não é de modelo da Victoria’s Secret. Ela VOLTOU a comer e a se orgulhar das curvas que tem. O biotipo dela é assim, o corpo é DELA e NINGUÉM tem nada a ver com isso.
“Ah, mas você é magrinha, você acha que sabe do que está falando”? Sei sim. Porque aparentemente eu posso não estar acima do peso, mas eu não praticava exercícios, nunca fiz dieta e odiava salada. Vocês acham que eu nunca ouvi comentários do tipo “vai ficar gorda” ou “nossa, tá comendo demais, cuidado hein”? Já ouvi, e muito. E isso entra na cabeça da gente de um modo que não deveria! O que as pessoas querem hoje é que todos tenham corpos de modelos e eu não tenho isso. Não tenho peito, bunda, perna e nem barriga chapada. E vocês realmente acham que só ser magra é suficiente para essa sociedade de hoje?
Se você está um pouco acima do peso, as pessoas falam, e se está um pouco abaixo, as pessoas falam de novo. Perfeição não existe! Os seres humanos não são bonecas Barbie e Ken, somos todos diferentes! Se o biotipo da pessoa é para pesar 40 kg, ela vai pesar 40 kg! Isso não é da conta de ninguém!
Hoje faço academia, sim. Mas nem por isso vou passar fome, deixar de comer doce ou de tomar refrigerante nos finais de semana. Não preciso me privar de nada por pura pressão da sociedade que parece precisar que todos tenham uma estética perfeita. E nem você. Seja feliz com o corpo que tem. Não force nada que o seu corpo não aguente. Pensem na saúde primeiro, estética é consequência.
Aos que chegaram até o final desse texto ainda achando que todos precisam ter corpos de modelo e tremeram de pavor ao ver minha pancinha e a gostosura da Demi, só um recadinho: vão comer um brigadeiro para ver se adoça essa sua vida amarga.

“Me disseram que eu não podia, por isso que eu fiz”

Desde pequenina, eu dizia que seria médica quando crescesse. Então eu cresci, e o medo das dificuldades do vestibular/faculdade de medicina tomaram conta de mim, e eu mudei de ideia. E mudei de novo e de novo. Até que no último ano do colegial eu me dei conta que eu só estava fugindo do que eu sempre quis por conta das dificuldades – o que meus pais sabiam desde sempre. 
Fiz um ano de cursinho e não consegui. Confesso que não foi o meu melhor ano de estudos, mas mesmo assim fiquei decepcionada. O desespero de ter que enfrentar o segundo ano de cursinho chegou junto com os pensamentos negativos, esses que a gente faz força para afastar.
Meu segundo ano de cursinho ainda não acabou, mas a questão estudos melhorou bem em relação como era no ano passado – apesar do que as línguas maternas possam dizer. 
Claro que é difícil. Pensar em passar o dia inteiro agarrado nos livros e apostilas, sem nem ter certeza do que pode acontecer na hora H, já que é você e outros cem/duzentos competindo por uma única vaga na faculdade dos sonhos, ou ver todos os seus amigos já cursando a faculdade que queriam, ou conhecer gente no quinto ano de cursinho, ou ainda ouvir mil pessoas dizendo que você não vai conseguir pode não ser nada animador. Vez ou outra a vontade de desistir de tudo e tomar o caminho mais fácil sempre bate na porta. 
Mas só de pensar no gostinho de vitória quando você ver seu nome na lista e perceber que você venceu milhares de concorrentes, que você finalmente vai viver a experiência da faculdade que queria como os seus amigos e que você, depois de dois, três ou cinco anos de cursinho, não desistiu dos seus sonhos e conseguiu realizá-lo não tem preço que pague – nem todas as mensalidades de todos aqueles anos de cursinho. 
E você ainda vai poder esfregar na cara de todos aqueles que um dia duvidaram da sua capacidade que você é capaz, sim! Afinal, “se apenas uma vez você fizer o que os outros dizem que você não consegue, nunca mais vai dar atenção às limitações delas” (Cap. James R. Cook).
Não importa quanto tempo demore ou o quão difícil é, por favor, nunca desistam de seus sonhos. Sejam uma inspiração para mim e para todos os outros que ainda têm um sonho. Nada que vale a pena ter vem fácil. 

 

Sobre inveja e ser único

Quando eu era menor, comecei a estudar numa escola nova que era maior do que qualquer outra que eu havia estudado. Na minha sala tinha umas meninas que desde o primeiro dia começaram a me tratar mal. 
Conforme os anos se passavam, algumas vezes os “grupinhos” tentavam se aproximar, mas nunca dava certo, já que sempre rolava alguma coisa e alguém saia chorando – normalmente, esse alguém era eu. 
Eu nunca soube porque elas não gostavam de mim. E nem porque até algumas “amigas” minhas viravam as costas para mim e se juntavam às outras, sem me dar uma explicação. Tudo o que eu queria era ser amiga de todos e que elas gostassem de mim de volta.
Talvez hoje elas nem pensem que o que elas fizeram comigo (tentar me isolar, falar mal de mim para os outros colegas, fingir serem amigas só para acabar fazendo algo “ruim”) eu considero bullying. E talvez elas até pensem que eu era uma bullie, já que às vezes eu me rendia a algum “plano” de alguma “amiga”, só para não ficar por baixo. 
O ponto disso tudo é que eu me sentia mal comigo mesma, já que por muitos anos parecia que a maioria das pessoas não gostavam de mim. E eu sentia muita inveja das pessoas e queria ser como elas, tentava imitar outras pessoas, só para tentar me sentir querida. Alguma coisa do que eu falei agora soou familiar para você?
Existem muitas pessoas que se sentem desse jeito por pura pressão da sociedade, não precisam de um grupinho de mean girls do ensino fundamental para isso. Para todo lugar que você olha, tem alguém ou alguma coisa que te diz para lotar a cara de maquiagem, alisar os cabelos, se matar na academia, não comer doces e usar as roupas da moda. E você acaba sentindo inveja daqueles que seguem esse padrão, que tem um corpo mais magro, mais definido que o seu, que tem um cabelo mais longo e mais escorrido e um rosto mais simétrico que o seu, sentindo que o que você tem não é bom, que é feio. 
Quando eu tive que sair daquela escola e mudar de cidade, eu não quis no começo, por conta das tais amigas. Mas hoje eu vejo que foi para melhor. Na nova escola encontrei novas amigas que quero levar para sempre e com quem nunca tive problemas. Amigas essas que me ajudaram a me encontrar e que me deixam ser essa nova eu, a que eu sou de verdade. 
Sobre às antigas amigas, existe aquela relação tecnológica à distância – amigos nas redes sociais, que curtem os status um do outro e que muito raramente se falam (exceto com quem decidiu esquecer que um dia vocês fizeram parte da vida um do outro. Mas as pessoas negativas ficam melhor no passado). 
Hoje eu tenho mais certeza de quem eu sou a cada dia que passa. E eu gosto de quem eu estou crescendo para ser, o que eu achava que nunca ia acontecer. Eu não quero ser igual a ninguém, eu quero ser única e diferente e conseguir me destacar na multidão. Eu não quero ser comum. 
Eu aprendi também que quando você se cerca de pessoas positivas, você vive melhor e as coisas negativas da sua vida vão embora com as pessoas negativas que você deixou para trás. Não existe mais inveja, mas ficar feliz por outra pessoa e pensar que um dia ela talvez fique feliz por você também. Eu sei que se eu tropeçar e cambalear no meio do caminho, tenho várias mãos que vão me ajudar a ficar firme, e não terminar de me derrubar no chão. 

Sobre Cinquenta Tons e romance

Hoje, depois de muita espera pelos fãs, saiu o primeiro trailer oficial de Cinquenta Tons de Cinza, a adaptação do primeiro livro da trilogia escrita por E.L. James que será lançada em fevereiro de 2015.
Depois de toda a agitação por causa do trailer, comecei a ver muito mimimi, (de novo) em relação aos livros e agora também ao filme – que ainda nem foi lançado. E resolvi que precisava “quebrar meu silêncio” e fazer um post sobre isso, já que eu não ia aguentar ficar quieta.
É só que é alarmante o tamanho do preconceito em relação à trilogia por serem livros direcionados às mulheres e conter muitas cenas de sexo e falar sobre sadomasoquismo. Porque, claro, apenas homens podem gostar disso. 
Mas o que me impressiona ainda mais é como todos focam nesses aspectos, no sexo e como todos ficam abismados ao ver que é daquilo que as mulheres parecem gostar, um cara que está incrivelmente longe da realidade.
O que houve, a namorada pediu para refazer alguma cena do livro e você não deu conta?
Vamos parar de pensar como seres de mente pequena, machistas e que só-pensam-naquilo. 
Isso é ficção! Ninguém nunca disse que existe um Christian Grey andando por aí! A maior parte do público da trilogia são mulheres experientes e vividas, sabem muito bem como a coisa é, muito obrigada. 
Isso não impede ninguém de querer ler sobre alguém que é devoto a você e tem a sua satisfação em primeiro lugar (porque quem realmente quis entender a história e passou do primeiro livro vai saber disso).
Eu, por exemplo. Adorei a trilogia. Claro que, mesmo sendo fã, eu reconheço as influências claras de Crepúsculo (que se não estivessem lá, eu estranharia, já que foi com uma fanfic de Crepúsculo que Cinquenta Tons foi originado), a rídicula “deusa interior” da protagonista e uma enrolação básica em algumas partes. Mas o que eu gostei foi do romance crescente e evolução dos protagonista, individual e como casal.
Tanto é que, ao me perguntarem do livro enquanto eu ainda lia o primeiro, eu disse que era “bonitinho”.
Eu duvido que alguém que escolheu não prestar atenção na situação inteira e focar no óbvio descreveria Cinquenta Tons de Cinza como “bonitinho”.
Como a própria Dakota Johnson, intérprete da protagonista Anastasia Steele, disse uma vez em alguma entrevista sobre o filme e os livros, toda mulher quer ser aquela que “quebra” um homem. Que consegue fazer com que ele, fechado e com a alma tão torturada, se abra para você e apenas para você. 
O ponto é que história geral da trilogia é um romance onde, claro, o sexo faz parte – mesmo que não de um modo convencional, no caso, que gera aquele velho preconceito do que é diferente. O sadomasoquismo é apenas mais um “empecilho” para o casal, um diferencial na trama que talvez incentive, sim, mulheres a se soltarem mais. 
Portanto, o que eu acho que atrai as mulheres à esses livros não é tanto o sexo ou a ilusão do cara perfeito. Mas o querer viver um romance que te dá a chance de amar e ser amada de volta, que não precisa nem ser épico como um conto de fadas.

Ah, aqui está um texto que cobre basicamente o que eu queria dizer aqui (vai que eu não consegui fazer o meu ponto e você ainda precisa de um pouco mais…). Nem tudo são rosas, mas você pode se surpreender se der uma chance e ler a trilogia, eu garanto.

Sobre o casamento entre Clara e Marina

Quando eu comecei com o blog, fiz uma “promessa” para mim mesma que não iria trazer para vocês posts sobre assuntos oh-tão-polêmicos. Pois vou quebrar isso, porque o assunto em questão hoje está me irritando além dos limites.
Há uns dias atrás (juro que não sei nem quando foi direito) passou na novela no horário nobre de um canal renomado um casamento entre duas mulheres. E o mundo acabou.
Não literalmente, mas é assim que muita gente está agindo. Em pleno século XXI, onde a homossexualidade não é mais nenhuma novidade e nem é mais a primeira novela nacional a colocar no ar um beijo entre um casal do mesmo sexo.
O que me irrita é o seguinte: falar que não tem preconceito, mas achar absurdo o casamento delas. “Não ligo de elas serem lésbicas, mas…”. 
Sempre achei que um casamento era uma prova de amor. Trocar juras de amor eterno, um símbolo de união e um beijo para selar o compromisso são provas de que um ama o outro e pretendem passar o resto da vida juntos.
Corrijam-me se eu estiver errada. 
Então qual o problema de elas serem lésbicas e se casarem? Se elas se amam e querem assim, que se casem oras. 
E sobre a questão de que: Clara era casada e tem um filho. “Criança não entende desse jeito, até parece que é assim igual na novela”. Ás vezes sim, ás vezes não. 
Quando crianças, penso que somos um reflexo de nossos pais. Nossos pensamentos refletem os deles, pouco a pouco acrescentando nossas próprias opiniões e/ou até as mudando totalmente. 
Então, se eu fosse o tal menino da novela. por que eu seria contra uma coisa que faz a minha mãe feliz? Se meu pai, que também já namora outra pessoa, acabou aceitando esse relacionamento, por mais diferente que fosse, de minha mãe, por que eu também não posso?
Amor é amor. Nada mais deveria importar, muito menos sexo. Do que importa ser homem ou mulher se te traz felicidade? 
Para concluir e terminar de colocar para fora, em uma novela onde reina vingança, filha namorando ex-noivo da própria mãe, estupro e traição, uma cena em que mostra o amor, esse amor livre, deveria ser aplaudida, e não julgada como está sendo. Espero que um dia as pessoas do mundo aprendam a reconhecer amor por amor e não por conveniências aos olhos de quem vê de fora.

Romance à moda antiga

Eu acho engraçado como hoje em dia tudo ficou banalizado. Até o amor (ou devo dizer “principalmente o amor”?). Há pessoas que mudam de “amor da vida” a cada semana e toda noite um novo beijo é o melhor beijo de todos.
Talvez eu seja só mais uma “romântica incurável”, mas comigo é diferente. Eu quero um daqueles amores à moda antiga, com aquele tempo em que existe o flerte e nada mais. Em que um vai ficando confortável com o outro ao seu tempo e o casal ainda vai a encontros e só lá, naquele primeiro (ou segundo, ou terceiro…) encontro ocorre o primeiro beijo. E a espera e expectativa faz aquele ser o melhor beijo de todos.
Eu lembro de ter escutado isso em um filme e eu não pude concordar mais: nesse mundo onde tudo é homogenizado e tudo é baseado em perfis online em que pessoas procuram em outras os mesmos interesses, os mesmos gostos, eu quero conhecer alguém em um bar, com pessoas de verdade (estou parafraseando) – ou qualquer outro lugar. Eu quero sentir o prazer de sentir aquela atração súbita por alguém que você não conhece e poder fazer a troca de olhares e, quem sabe, sorrisos. Baseado em química real.
Parece normal hoje mulheres terem tanta coragem e atitude quanto os homens (às vezes até mais) de ir chegando na pessoa desejada, balançando os quadris e jogando cabelo – ou só chegando de mansinho, batendo um papo descontraído. Com o perigo de ser taxada de “sem atitude”, o simples fato de me imaginar fazendo qualquer uma dessas coisas me faz o rosto esquentar.
A timidez que teima em me fazer companhia pode até ser o fato de eu achar uma troca de olhares num bar lotado ser mais atraente do que cantadas baratas e conversas desconfortáveis pela tela de um celular ou computador, mas eu estou bem assim, muito obrigada.
Não tenho vergonha em assumir que sou mulher-menininha e nunca terei nem o dedo mindinho de uma femme fatale. Apesar de ser provavelmente com certeza parte da minoria, vou continuar acreditando que existe alguém para mim por aí que prefira uma conexão de verdade, com conversas olho no olho e acredite na arte dos encontros. Afinal, quem acredita sempre alcança – ditado de vó (eu acho), para terminar o texto à moda antiga também.